terça-feira, 2 de agosto de 2011

Se vai.



Eu estarei nas ruas, entre os carros. Eu estarei nas árvores, entre os gatos. Eu estarei nos fios de alta tensão, entre os pássaros. Tanto posso tocar o chão, a terra, como possar tocar o absoluto, como o ar, ou, ainda, tocar cada fibra do corpo, do tecido, como o mar faz com aqueles que lhe adentram.
Há a superfície inconstante do mar sendo beijada pelo vento e, paradoxalmente, há o profundo, as rochas no fundo escuro daquele mar, quase intangível, quase improvável.
E além disso, tantas vezes sobrepondo-se a isso, há um ser, este ser, que por vezes grita e noutras silencia. Mas o grito que ocupa cada ínfima parte daquele ambiente e, então, há o silêncio, o vácuo. O que seria mais propositalmente cortante?
As pegadas deixadas na areia são como formas de bolo, forma de algo que não deu certo, portanto não fixou-se ali. No entanto, o bolo primoroso é aquele que de sua forma é destacado, coberto com algum doce melado e, então, divido entre os convidados, os amigos, aqueles dois amantes. E o glacê, o glacê no canto dos lábios, lábios esses que só poderiam remeter a pêssegos... Ou a pedaços de carne em uma ceia, onde todos vorazmente os destroçariam, devorariam, deixando apenas os ossos para os cães... Ou o anfitrião.

Ausenta-se, pois estará entre as ruas, nas ruas, como já foi dito.
- Por que você se vai?
- Porque não posso ser destroçada, devorada, digerida por eles. Sou o touro que não está naquela mesa servido juntamente com o arroz; sou o coelho que conservou bravamente suas patas, nenhuma delas está em um chaveiro; sou o piar perdido em algum lugar indefinido da imensidão, eu não estou... Eu não estou naquela gaiola.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Meu. Minha.




É bom dizer que eu tenho e que eu não quero conclusões (sim, ambíguo assim!).
Você não tem ideia (sim, talvez você tenha) do meu medo, do meu receio, de me perder em você, de me perder em todo sentimento que não for originado e alimentado apenas por mim, como quando a gente vê algo lindo e singelo na paisagem urbana e fica feliz, satisfeita; isso é de mim para mim, para comigo. Mas você e eu, é você e é eu, somos nós dois, você sabe. Quando o sentimento é compartilhado, vem das duas partes... Poxa, isso me dá um medo tremendo! Parece que tudo que é meu vai misturar com que é seu e vice-versa, dá uma medo tremendo, novamente, de perde me perder, de perder tudo, inclusive você. Eu tenho medo de destruir a gente por te querer, por te querer comigo, aqui do meu ladinho, aqui dentro daquele orgão pulsante.
Medo, viu? A gente tenta viver fingindo que ele não está bem aqui ao lado ou realmente, profundamente, o enfrentando, cara a cara. E não, não me venha com discursinhos sobre coragem, entendeu? Isso é relativo. Não preciso de pseudo-coragem, nem de coragem como provação... Preciso apenas de coragem para continuar sentindo e não sair correndo sem me despedir, sem me explicar; até porque eu odeio me explicar, é assim e pronto. Me explicar em quê, pra quê?! Ah, não. Não mesmo!
Às vezes é isso mesmo, sentir mais e entender menos.
Mas eu não quero, não quero me perder de mim, de tudo que eu sou, de tudo que eu agrego, de tudo que eu desejo profundamente, de tudo, de tudo que eu sou. Não quero e não vou! Começa por aí.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Livre.



"Coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na dispensa..."
Pois é, e aquela cena tá guardada, coração registrou. É minha, só minha. Vou guardar entre outras tantas para quando eu precisar de doçura.

Mas num determinado dia é assim, você acorda e está livre. Não é esperado. O celular desperta, a música toca e não existe mais nada, seu transe acabou e você foi desperta. Ainda bem!
Que venha o próximo encanto, o próximo transe!