sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Imenso.



Posso falar do que eu tenho medo? Tenho medo, principalmente, de perder a imensidão do mundo e, mais ainda, a imensidão do nosso amor. Quero, então, a imensidão, a imensidão de tudo que há, de tudo que há entre nós.

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Esforço-me para não repetir passos errôneos, passos de dor supérflua. Esforço-me!

Macarrão Instantâneo.



Quanto poderia pesar o ar? Naquele momento eu não sabia, mas empregnado de dor, a umidade daquelas lágrimas deixava o ambiente tão denso, quanto irrespirável, o sofrimento era quase palpável.
O pior... O pior é que aquelas pessoas, aquelas todas, escolheram o meio que roubava com uma pequena faca, pouco afiada, tiras de couro das costas daqueles guerreiros. - A pequenha faca pouco afiada? Para prolongar o sofrimento e, principalmente, a dor.
Lamentáveis aqueles seres, eram três, ao menos, com existências atormentadas por diversas razões, mas em comum havia o vício. E não, não era o tabaco ou o álcool, mas sim a dor.
O que podia ser houvido era insignificante, os utensílios de metal a chocar-se da panela aos dentes, dos dentes ao prato. E além do visível, havia aquele gosto de sal das lágrimas, o tempero do macarrão instantâneo e confissões, confissões audíveis ou não; apenas sabe-se que haviam muitas delas. Em cada garfada indo à boca, em cada olhar murcho, inchado de sal. Ah, e a dor... A do dor ultrapassava o reino do tangível e sofrimento, então, transpassava o reino intangível.
Patéticos seres de carne, osso, coração e sonhos. Insípidos os seres desprovidos das desproporções dos sonhos; estes seres, sim, são lamentáveis.

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Triste, sim. Mas precisava sair do reino tangível do papel.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Se vai.



Eu estarei nas ruas, entre os carros. Eu estarei nas árvores, entre os gatos. Eu estarei nos fios de alta tensão, entre os pássaros. Tanto posso tocar o chão, a terra, como possar tocar o absoluto, como o ar, ou, ainda, tocar cada fibra do corpo, do tecido, como o mar faz com aqueles que lhe adentram.
Há a superfície inconstante do mar sendo beijada pelo vento e, paradoxalmente, há o profundo, as rochas no fundo escuro daquele mar, quase intangível, quase improvável.
E além disso, tantas vezes sobrepondo-se a isso, há um ser, este ser, que por vezes grita e noutras silencia. Mas o grito que ocupa cada ínfima parte daquele ambiente e, então, há o silêncio, o vácuo. O que seria mais propositalmente cortante?
As pegadas deixadas na areia são como formas de bolo, forma de algo que não deu certo, portanto não fixou-se ali. No entanto, o bolo primoroso é aquele que de sua forma é destacado, coberto com algum doce melado e, então, divido entre os convidados, os amigos, aqueles dois amantes. E o glacê, o glacê no canto dos lábios, lábios esses que só poderiam remeter a pêssegos... Ou a pedaços de carne em uma ceia, onde todos vorazmente os destroçariam, devorariam, deixando apenas os ossos para os cães... Ou o anfitrião.

Ausenta-se, pois estará entre as ruas, nas ruas, como já foi dito.
- Por que você se vai?
- Porque não posso ser destroçada, devorada, digerida por eles. Sou o touro que não está naquela mesa servido juntamente com o arroz; sou o coelho que conservou bravamente suas patas, nenhuma delas está em um chaveiro; sou o piar perdido em algum lugar indefinido da imensidão, eu não estou... Eu não estou naquela gaiola.